Os sobrenomes no interior de Minas – o retorno!

Eu não sei os amigos blogueiros, mas alguns posts meus merecem mais carinho de minha parte do que outros. Eles falam mais de mim, ou foram escritos em momentos de maior inspiração, ou somente uma questão de amor inexplicável.

Este post diz muito sobre uma paixão minha, adormecida até pelas dificuldades práticas de mantê-la mais viva, e foi objeto de um trecho daquela conversazinha de uma hora e tanto por skype da semana passada. O que me fez retomá-lo, tanto para ilustrar o meu comentário com a amiga, como para me auto-provocar a não deixar de lado minhas buscas!

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(Antes de começar a escrever, eu gostaria de agradecer imensamente ao meu primo em terceiro grau, Jad Vilela, recém descoberto pela web, e quem me deu a maior parte das informações abaixo, que eu já vinha inferindo, de modo estruturado.)

Pesquisar a minha genealogia revelou um desafio inesperado. O interior de Minas, fugindo da região do ouro, ou da fronteira com o café, foi povoado lentamente, pelas famílias de origem portuguesa, que à partir de Ouro Preto, Mariana, Sabará e demais cidades que primeiro concentraram a migração em busca do ouro, foram se espalhando, se misturando e miscigenando com negros e índios e ocupando o território.

Quanto mais longe da influência portuguesa, da riqueza e dos títulos, menor a relação dos sobrenomes com tradição e preocupação com herança e prestígio, e maior o uso dos sobrenomes como mecanismo de identificação da pessoa com a sua família, e auto-identificação. A lei, ou talvez a tradição, até o início do século XX no Brasil determinava que as crianças fossem registradas apenas com seu prenome. É o caso da tia Lourdes, já falecida, que, nascida em 1927, foi registrada como Maria de Lourdes, filha legítima de Domingos de Aguiar e Maria Gontijo de Aguiar.

No caso da Tia Lourdes, relativamente recente, ela, como todas as minhas tias assim registradas, adotaram como sobrenome “Gontijo” ou “Gontijo de Aguiar”. Em tempos anteriores, era muito comum que as mulheres, principalmente, adotasses, sobrenomes de teor católico, como “do Espírito Santo”, “de Jesus”, “da Anunciação”, e vários outros. Alguns desses sobrenomes foram transmitidos para gerações seguintes e se difundiram bastante, como Nascimento, Santana e Assunção, muito comuns por aqueles e por outros lados.

Algumas outras práticas comuns eram seguir um hábito trazido de Portugal, de se batizar as mulheres com sobrenomes de origem materna o os homens com sobrenomes paternos. Em alguns casos, adotava-se sobrenomes de avós, não usados na geração dos pais, como forma de homenagem, e ainda como homenagem, eventualmente se emprestava o sobrenome do padrinho de batismo (suponho eu que quando este emprestasse algum prestígio e quiçá até os gens…).

Além de todas as situações descritas, existia também o hábito por parte de servos e escravos de tomarem emprestados por falta de imaginação ou aspiração os sobrenomes de seus senhores, o que gera, no estudo da geneologia com frequência a falsa impressão de se encontrar um parente.

Outra prática comum era de se identificar tanto uma criança na vida cotidiana como Zé do Tonico, sendo o Tonico o pai do Zé, que, algumas dessas crianças adotaram como sobrenome o nome de seu pai. Ainda hoje é assim que eu costumo ser apresentada a primos e parentes distantes quando vou à Divinópolis, cidade natal dos meus pais.

Juntando a dificuldade de saber exatamente onde nasceram os antepassados, com alguns não registrados oficialmente, esta foi a terceira, maior e mais surpreendente dificuldade que eu encontrei para fazer estudos genealógicos à distância. Às vezes me entristeço de não poder passar mais tempo ouvindo e registrando os parentes mais velhos para registrar o que ainda estiver na memória destes, o que seria outro caminho relativamente simples.

Com tudo isto, como buscar informações sobre minha bisavó Maria Gomes da Paixão, nascida em local e data desconhecidos, e filha de Ricardo Leite, e Maria Luiza Mendonça (dados da certidão de nascimento do meu avô)?

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13 comentários sobre “Os sobrenomes no interior de Minas – o retorno!

  1. Muito bom seu post genalógico, amor. Transmite não só a dimensão do seu interesse pelo assunto (que eu conheço bem, mas nesse texto acho que todos vão entender também), como aspectos muito bacanas da pesquisa, de história etc. Está de parabéns por produzir esse post bacana mesmo com todo seu cansaço da semana!

  2. Cara amiga,

    Tu bem sabes que a tendência é sempre escrever divertidamente sobre o assunto e, depois comentar os pontos de valor dos teus posts. Não pela crítica construtiva recebida e nem pela qualidade superior dele, pois todos são bons, vou começar este comentário pelo lado sério. Sem críticas pois exauri o repertório com o teu esposo.

    Primeiro a qualidade intelectual do texto. Que forma interessante de descrever o assunto. Isto que ele, a genealogia, pode parecer pedante ou cansativo para algumas pessoas. Não da forma como esta apresentado. Ponto pata ti – acho que com este estas cada vez mais perto da minha pontuação que ainda é maior. Não pude resistir é forte demais o lado cômico.

    Segundo o valor histórico da informação. O melê que conseguiram fazer com os nomes de família é fantástico. Se bem que de alguma maneira até exista uma razão. Qual a importância de ser Lourdes Gontijo de Aguiar se o valor pessoal for obtido sendo Lourdes ou a Lurdeca do seu Mané? A diferença está na rastreabilidade e não no valor da Lourdes.

    Agora deveria haver uma seqüência nos nomes religiosos adotados, sempre. Ou uma inversão ou modificação em gerações. Deste modo os de Jesus, na 2ª geração passariam a ser de Judas e só na terceira geração voltaria ao de Jesus. Os da Paixão poderiam ser derivados para Compaixão, Martírio de Cristo, Sofrimento Divino e outros mais.

    Depreende-se desta sua busca que as dificuldades naturais são bastante grandes mas as criadas parecem catsatróficas.

  3. Chris,

    Certa vez minha tia-avó recebeu uma ligação de um jornalista mineiro que estava buscando informações sobre os Dutra de Moraes. Ele estava pesquisando a árvore da família dele e conseguiu os telefones da minha tia na lista telefônica. Anos mais tarde entrei em contato com ele, que me passou várias informações sobre minha família. Adoro este assunto. Me comove estudar minhas raízes. E toda minha família por parte de mãe vem de Minas, daí meu amor por aquele lugar. Lindo post. Parabéns!

  4. Adorei o post! Mas nem posso comentar direito agora, pois viajo amanhã cedinho para o interir de Minas… Coincidência, né? Acabei de postar sobre isto. Depois eu volto com calma!
    Boa sermana!
    beijocas

  5. já tinah ficado interessada pelo asusnto qdo conversamos e com esse post entao…adorei…fiquei ate com vontade de procurar a minha….mas calma cada projeto d euma vez né???bjs

  6. Sobre nome? aqui somos filhos de ….,mulher do ….,mãe de…. a identidade EU morre rapidamente não é?Mas que é bom lá isto é!

  7. A minha mãe tinha “do Carmo” em referência a N.Sra. Do Carmo, antes de se casar, depois perdeu este nome quando se casou. Ah, ela é mineiríssima.

  8. Gente, obrigada pelas palavras de incentivo! Adoro pesquisar, mas dá um desânimo às vezes… Larissa, de onde é a sua família? Laila, pesquise no site http://www.gens.labo.net/en/cognomi/genera.html que você vai ver que a sua família está quase toda na Normandia! Cris, adorei a ratificação da tese! E Ana, AMEI o texto, muito lindo! Não tinha visto não! Muito obrigada!

  9. Olá,

    Estou procurando informações sobre a origem dos Dutra de Moraes. Desde já agradeço.

    Abraço,
    Christiane

  10. Olá, bom dia
    Também sou descendente da familia Dutra de Moraes do interior de Minas Gerais. Tenho muita informações. Se quiser, estou a disposição.
    Abraços

    1. Oi Eliane
      Como entro em contato com voce? Procuro informacoes sobre minha tataravo’ Carolina Dutra de Moraes de Mar de Espanha.

      S

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