Em um dia de nada a dizer…

… só me resta a reclamar que de novo o Luciano Huck e seu Rolex ocupam espaço das páginas da Folha de São Paulo. E, como eu não posso concordar com a explicação do meu amigo de que haveria falta de notícias, eu fico aguardando uma contribuição mais elaborada ou mais criativa para explicar tamanho destaque ao Rolex do Huck!

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Um comentário sobre “Em um dia de nada a dizer…

  1. O roubo do Rolex

    A detentora dos direitos deste bolg desafia o Amigo a elaborar uma explicação mais criativa para o destaque dado ao roubo do Rolex do apresentador Luciano Huck. Os envolvidos com captação de atenção para mídias sabem que o moço faz sucesso e a violência também – juntando-se os dois temos um motivo suficiente para este destaque. Mas razões são meras razões. O interessante é o significado social, antropológico e filosófico que está por traz desta ocorrência – o público adora um circo.

    Parte do público vê no acontecimento uma punição para o exibicionismo e o fausto. A interpretação inclui a redenção das classes menos favorecidas com o castigo pela demonstração exterior de superioridade financeira. Tem quase um sabor de vingança. Neste contexto figuram aqueles que vêem no roubo uma forma de aviso para os que têm a fonte de renda decorrente de atividades que exploram a ignorância popular, incluindo aqui os trabalhadores em televisão. Esta pode ser a pena para os poderosos que se julgam acima do mal e saem às ruas como se nada lhes fosse acontecer. Daí a necessidade de acompanhamento das notícias para constatar se haverá diferenciação no tratamento dado pela polícia, se surgirão informações conflitantes a cerca de como o Rolex foi comprado e assim por diante.

    Outra parte do público adquire um posicionamento diametralmente oposto e invoca a falta de proteção e segurança como raiz do problema. A constatação de que nem uma figura de destaque como o Luciano está livre destes acontecimentos faz com que elas retornem constantemente às fontes de informação buscando por sinais que as ajudem a compreender o fato e, se possível, eliminar similaridades para criar uma falsa segurança pessoal. Comigo não vai acontecer porque não sou famoso e não tenho Rolex. Quem não aparenta não paga.

    E finalmente, uma parte do público está cansada de notícias mais reais e gosta mesmo de uma mídia almanaque que apresente frivolidades à exaustão. A fuga da realidade humilhante da degradação dos costumes, da ética e das relações humanas explica muito. Chega de desgraça, querem saber de coisas mais leves. Não se pode esquecer que frente às possibilidades de notícias funestas, o roubo do Rolex é fichinha, mesmo com os comemorativos de violência.

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