Sobre a Ironia

Mais uma vez eu lanço mão das palavras de Rilke para dizer algo a alguém por quem eu tenho muito carinho. A propósito, eu só invoco os meus textos prediletos quando eu tenho algo de muito sincero a dizer, como há pouco tempo, quando mandei a uma amigo um trecho do Saint-Exupéry…

“Não se deixe dominar por ela, sobretudo em momentos estéreis. Nos momentos criadores procure servir-se dela, como mais um meio de agarrar a vida. Utilizada com pureza, ela também é pura e não nos deve envergonhar. Ao verificar, porém, que se familiariza demais com ela, temendo uma intimidade excessiva, volte-se para objetos grandes e graves, diante dos quais ela se encolhe desajeitada. Busque o âmago das coisas, aonde a ironia nunca desce; e, ao sentir-se destarte como que à beira do grandioso, examine ao mesmo tempo se essa concepção das coisas deriva de uma necessidade de seu ser. Sob a influência das coisas graves, com efeito, a ironia ou o abandonará por si mesma ( se tiver sido algo de ocasional ) ou então se reforçará (caso lhe pertença como coisa inata) num instrumento sério, enquadrando-se no conjunto dos meios com o que o senhor deverá moldar a sua arte”

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Um comentário sobre “Sobre a Ironia

  1. Estimada amiga

    Não sou um colecionador de virtudes. No sentido amplo da palavra talvez encontre algumas para abençoar a minha existência. Sem remexer ou procurar muito. Ao invés de buscar o virtuoso prefiro aproveitar o humano. E por isso, erro. Procuro acertar mais do que errar. Não só porque sou um humano de boa-fé, mas porque gosto muito das pessoas. Genericamente das pessoas e particularmente de algumas pessoas.

    As minhas atitudes refletem bem a minha boa-fé e o gostar das pessoas. Pode ser que a minha escrita não tenha este mesmo poder. Valho-me de uma citação de André Comte-Sponville para esclarecer: “Não, claro, que a boa-fé valha como certeza, nem mesmo como verdade (ela exclui a mentira, não o erro), mas que o homem de boa-fé tanto diz o que acredita, mesmo que esteja enganado, como acredita no que diz”.

    O que pareceu irônico era para ser um manifesto de humor. Não teve a finalidade do deboche ou escárnio. Era apenas uma brincadeira. Tendo falhado no intento, e nem cabe saber o porquê, fica a sensação frustrante e desagradável de ter causado um mal-estar. Solicito, no entanto, que seja reconsiderada a classificação de ironia, com uma nova óptica, como aquela descrita pelo próprio Comte-Sponville – “O espírito … zomba de tudo. Quando zomba do que detesta ou despreza, é ironia. Quando zomba do que ama ou estima, é humor.”

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