Repente

No Brasil, a tradição medieval ibérica dos trovadores deu origem aos cantadores – ou seja, poetas populares que vão de região em região, com a viola nas costas, para cantar os seus versos. Eles apareceram nas formas da trova gaúcha, do calango (Minas Gerais), do cururu (São Paulo), do samba de roda (Rio de Janeiro) e do repente nordestino. Ao contrário dos outros, este último se caracteriza pelo improviso – os cantadores fazem os versos “de repente”, em um desafio com outro cantador. Não importa a beleza da voz ou a afinação – o que vale é o ritmo e a agilidade mental que permita encurralar o oponente apenas com a força do discurso.

O repente se insere na tradição literária nordestina do cordel, de histórias contadas em caudalosos versos e publicadas em pequenos folhetos, que são vendidos nas feiras por seus próprios autores. Uma tradição que, por sinal, inspirou clássicos da literatura brasileira, como o Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, e Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. O repente foi para o Sudeste em meados do século XX, junto com a migração de nordestinos para os grandes capitais. Chegou a São Paulo em 1946 com o alagoano Guriatã de Coqueiro (Augusto Pereira da Silva) e, no início do século XXI migrou para a esfera virtual, com um paulistano, um gaúcho e uma mineira, sob a forma de blogs.

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4 comentários sobre “Repente

  1. Cara concorrente trovadora,

    Gostei do texto. Informativo, desafiador e bem-humorado.
    Ponto para ti.
    Agora, para tornar realmente uma disputa repentista que tal abrirmos uma sala de chat ou fórum em tempo real, com inscrições do público e duelo on line?
    Óbvio que os outros competidores terão de me dar uma discreta vantagem, pois não tenho curso de datilografia – sem perplexidade, sou anterior à digitação, a denominação na época era datilografia, e tinha diploma e tudo mais. Imaginem o trabalho de digitar todos os textos com dois dedos! Mas me viro muito bem. Se o número de dedos não é limitação nem para ser presidente, imaginem para um mero concurso de repente? E tem também o fator idade, respeito aos mais velhos, no caso da Chris hierarquia e assim vai.

    Está lançado o desafio.

    Quanto à produtividade, nobre colega, sinto informar que os dados mais recentes do Ibope não mostram uma vantagem para ti. Considerando-se o mês de outubro (data de abertura do meu e do teu blog) os números, que não mentem jamais, mostram:

    Posts:
    Guilherme 7 posts em 3 dias média = 2,33/dia
    Chris 7 posts em 4 dias média = 1,75/dia
    Amigo 8 posts em 5 dias média = 1,66/dia

    Comentários:
    Amigo 24 em 8 posts média = 3,00/post
    Guilherme 11 em 7 posts média = 1,57/post
    Chris 5 em 7 posts média = 0,71/post

    E não adianta argumentar com a falta de divulgação. A estratégia de lançamento foi uma escolha do Marketing. Agora é agüentar as consequências.

    Coloco-me à disposição para melhores esclarecimentos.
    Cordiais saudações

    Amigo

  2. Eu não sei muito bem o porquê, talvez seja este clima de duelo característico do repente, mas sinto que meu amigo está tentando me provocar… onde já se viu estatísticas como as acima, vindas de um cientista, ainda mais!!

    Me refiro ao denominador do indicador de produtividade de posts. Como pode o Guilherme, ou Gulherme, para facilitar o entendimento de alguns, ter como denominador 3 dias, se o dito blog está ativo e produtivo desde agosto? Concordo que no caso dos blogs que nasceram no meio do mês tenha um cálculo pro rata, mas isso está me cheirando a uma tentativa explícita de me tirar do sério…

    Então talvez eu faça melhor de deletar meus posts dos dois primeiros dias, e manter os de sexta, que subirá exponencialmente meu indicador????

    Quanto à divulgação, eu sou obrigada a concordar. Cada um com seu marketing, cada um com sua estratégia… Mea culpa!

  3. Previsibilidade

    Nada mais característico daselites!

    Tentar transformar evidências científicas em provocação.
    A simples constatação de uma derrota anunciada (que deveria ser recebida com uma certa dose de frieza por quem consegue prever banho de café) faz com que aselites interpretem fatos de forma tendenciosa.

    A provocação não era o intuito. Não era. Mas não me acovardo e parto pra luta.
    Quis apenas demonstrar a superioridade de alguns concorrentes, apontando os seus devidos lugares. E quanto a ignóbil suspeita de que houve trambicagem na computação dos textos do meu amigo Guilherme (pronto, já aprendi o nome dele) isto é até desumano. Apenas considerei o mesmo período de tempo – outubro. Afinal você gostaria que eu computasse aquele obscuro período de hibernação?

    Agora, cara concorrente, que desfaçatez a proposta de deletar a fase de baixa produtividade para subir de posição. Assuma os fatos e segure este dedo bobo (parecia que ele já estava controlado). Sim é típico dos que se sentem encurralados pelas evidências incontestes de superioridade.

    Você já pensou numa candidatura ao Senado?

  4. Eu realmente ainda não entendi porque estou apanhando tanto – nem consegui ainda me refazer e responder a enxurrada de machismos do primeiro comentário, diante de tanta paulada! Mas, esta última frase foi realmente o fim. Agora me ofendi de vez!!!!

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