Archive for Setembro, 2008
Em busca do berço ideal
Agora que parece estar se tornando uma nova rotina escrever aqui somente semanalmente, me dá a impressão que o tema maternidade domina este blog. Já vi várias blogueiras por aí engravidarem e jurarem por Deus que vão continuar a tratar de outros temas, que não se tornarão exclusivamente mães, etc.
Não tenho nada contra nem a favor. Nem optei por me tornar mãe 24×7 antes mesmo do nascimento, nada disso. Mas as mudanças no ritmo de vida provocadas pela gravidez, pela ausência da ajudante doméstica e sei lá mais o que não me deixam muito tempo para vir aqui todos os dias, contar pequenas anedotas do dia a dia. E não posso e nem quero negar que o tema central desta residência atualmente é a futura pequena moradora ainda sem nome. Ela e todas as mudanças decorrentes da sua chegada.
Os outros temas de que eu tratava aqui… quais eram mesmo?? (a gravidez acabou com a minha memória – qualquer pendrive de brinde hoje em dia tem mais memória do que eu!) Que eu me lembre eu falava de várias coisinhas do dia a dia, anedotas do trabalho, e das minhas aventuras de desventuras pela cozinha e pela sala de visitas.
Destas últimas, a primeira foi abandonada, salvo para questões de sobrevivência. E a segunda totalmente, tanto pela ausência da ajudante, como pela lista de compromissos sociais pendentes que sobraram depois de quatro meses de reclusão decorrentes das náuseas. Vários amigos e parentes para visitar, bebês recém chegados para conhecer, coisas a por em dia. E, claro, o tema-título deste post, que eu já ia esquecendo – a maratona de preparar a chegada da nova princesa deste lar!
Ontem realizamos uma verdadeira maratona em busca de um berço, e o resto dos móveis que compõem o novo aposento. Como tudo o que diz respeito ao universo dos bebês, trata-se de um mundo novo, desconhecido, cheio de premissas e parâmetros próprios, até mesmo com um linguajar novo a ser aprendido. E, obviamente, além dos móveis, os tais estabelecimentos comerciais vendem todas aquelas coisinhas feitas para balançar o coração e disparar o senso consumista das novas mamães e papais – várias fofurinhas, quadrinhos, bichinhos, enfeitinhos e tudo-inhos capazes de desorientar qualquer mãe de primeira viagem.
No fim da maratona, umas 20 lojas visitadas, ou mais, fica aquela sensação meio confusa de que todos os berços se fundiram em uma única imagem confusa, em que todos parecem mais ou menos semelhantes, e uma grande dificuldade em lembrar aonde se viu o que, e quais mesmos a gente tinha preferido. Mas agora me sinto meio entendida para, se Deus ajudar, na próxima rodada tomar uma decisão.
Cansa, cansa muito, mas vale muito a pena!
6 comments 14/09/2008
Os desafios, as delícias e as surpresas de virar mãe
Eu gostaria de ter tido mais ânimo desde o começo da gravidez, para ter feito alguns registros e escrito um livro. Eu sou daquelas que lê tudo sobre tudo, e, quando um assunto me diz respeito particularmente, eu não só leio tudo o que me cai nas mãos, mas busco até a exaustão tudo o que eu puder ler sobre o assunto.
E apesar de assim ter feito sobre a gravidez e as suas mudanças, eu não encontrei ainda nenhum relato que me fizesse sentir retratada. Os textos que eu vi em geral são muito específicos de alguma perspectiva – médica, da saúde da mãe, das mudanças do corpo ou qualquer uma das outras inúmeras facetas da gravidez. Mas ficar grávida para mim foi muito mais do que qualquer uma dessas coisas, e muito mais do que a combinação delas todas. Ficar grávida é um processo que, para mim, representou até aqui (e eu ainda não completei o quinto mês da gravidez) a mais aguda e sensacional guinada de vida, a maior ruptura de padrões, a maior necessidade de mudar e assimilar coisas novas em um período curto de tempo.
Serei só eu? Será que eu sou mais surtada do que todas as mulheres que eu conheço ou que eu já li sobre? E quando eu penso sobre isso, eu imagino que seria ainda muito mais complexo todo esse processo, se esta não fosse uma gravidez desejada, em grande parte planejada, e acompanhada de um daqueles maridos e futuros pais perfeitos – atencioso, carinhoso, companheiro e compreensível. Não imagino o quão mais complicado seja para as mães acidentais, ou de parceiros não merecedores desta qualificação, as mães adolescentes, as que têm problemas de saúde, enfim…
Não estou reclamando. De jeito nenhum, sou uma mãe muito feliz e orgulhosa de estar me tornando uma. Mas não dá para dizer que este seja um processo banal, simples.
Essa reflexão foi provocada agora por eu ter me sentado em frente ao computador em um dos raros momentos em que o fiz nos últimos meses. Primeiro vieram as nauseas, o mal-estar, etc. Depois a viagem de férias, visita da minha mãe…
Mas não. Me dou conta agora que nada disso explica isoladamente. Eu simplesmente mudei. E ponto. E nem sei bem definir como. Só me recordo aqui agora de uma amiga, recém mãe, que ao me ouvir planejar como redimensionaria a casa para acomodar o quartinho da nova moradora, preocupada com o dilema de como acomodar 3 computadores em uma casa com dois adultos, me disse:
“Chris, pode esquecer – daqui para frente você não vai ter tempo e nem vontade de passar tanto tempo ao PC.”
Desabafo feito, talvez eu volte aqui depois para contar um pouco de todas essas mudanças que eu só mencionei!
4 comments 07/09/2008


